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![]() De outros cantos
Líria Porto
influênciasdos sete aos dezessete anos idade das dez razões vivia perdida entre a sólida casa da rua Paissandu e o quintal sem-vergonha que descia o quarteirão em direção à zona
doutor adhemar dona nenên e filhos vizinhos de frente
maria-beira-mar borboletas e mariposas vizinhas de fundo
lipoinspiração
com todo zelo que um verso merece faz-se necessário cortá-lo na carne
lancetar abscessos sangrar das palavras excessos estridências deixá-lo direto
o resto dizê-lo em silêncios
o visitantejá o inverno me rodeia tece sua teia branca finca estaca lá na porta entra por baixo das telhas reclama lenha coberta arranha-me a pele
eu quieta no meu canto ele insiste pede leite uma dose de conhaque chá de cravo de canela chocolate sopa quente agasalho meias vela
o inverno veio cedo com seus braços magricelas respiração ofegante pouco cabelo misérias
pedra-sabão escrevo no peito o vento que passa o sol a vidraça a chuva a neblina escrevo no peito o doce a cachaça o queijo a coalhada o mapa de minas
escrevo no peito as ruas estradas as flores a praça os laços de fita escrevo no peito a tarde a alvorada a lua as estrelas as caturritas
escrevo no peito a terra um jazigo o chão a florada a serra o jardim escrevo no peito opalas sem fim
a mãe meus irmãos as filhas o amigo o cheiro os costumes a bruma a brisa depois eu me abraço e fecho a camisa palpitestoda casa tem paredes todo caso temporão
as conversas têm palavras todas elas têm desvãos
as pessoas quase sempre têm bolhas de sabão
do silêncio não te arrisques a dizer todos os vãos nem te metas nestas gretas repletas de sins de nãos
rotinaa voz de um relógio tique-taque repete sem sotaque a voz do tempo
passamos nossos dias tão iguais e sem o perceber envelhecemos
lealdadepor ti eu faço seguro a onda no braço e se o mar te der rasteira amarro-o numa coleira
arrasto-o para as areias do deserto de saara
ladainhafaço verso rastejante igual cobra no papel
faço verso flutuante passarinho lá no céu
faço verso comprimido fechado dentro do frasco
faço verso assim ridículo acostumado ao fiasco
faço verso bem florido nascido em pleno setembro
faço verso esquecido o jeito dele nem lembro
faço verso galopante como visita de amante
faço verso des'tamanho coração de minha mãe
faço verso faço verso faço verso
A autora por ela mesma:
líria porto - mineira de araguari, reside em belo horizonte - minas gerais - nenhum livro publicado.
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