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(Seção destinada à publicação de textos de autores não residentes em Niterói).

Olga Agulhom
 
Olga Agulhom
 
Formada em Pedagogia e Especialista em Literatura Brasileira. Possui diversas premiações em concursos literários. É autora de textos (prosa e verso) publicados em coletâneas, jornais e revistas literárias. Publicou quatro livros: Delírios (poemas), As três estatuetas de bronze (literatura infanto-juvenil), O tempo (poemas) e Germens da terra (contos). Atuou como professora particular e da rede municipal de ensino. Foi diretora da Creche e Pré-escola Alziro Zarur de Maringá (PR) e, na mesma cidade, coordenadora pedagógica da Pré-escola Primeiro Mundo. Participou da União dos Escritores Maringaenses, do Clube dos Trovadores de Maringá, da Sociedade de Cultura Latina do Paraná e da Sala do Poeta de Maringá. Foi membro do Conselho Municipal de Cultura de Maringá por duas gestões. Atualmente, integra os quadros da União Brasileira de Trovadores/Seção Maringá, da Academia de Letras do Brasil e da Academia Paranaense da Poesia. Cofundadora da Academia de Letras de Maringá, participou de todas as suas diretorias e exerceu o cargo de presidente de abril de 2008 a setembro de 2011. Produtora rural, é associada da Sociedade Rural de Maringá e do Sindicato Rural de Maringá, no qual integra a diretoria da Comissão de Mulheres. Cooperada da Cocamar – Cooperativa Agroindustrial, onde foi coordenadora geral do Núcleo Feminino da Unidade de Maringá, atualmente faz parte do Conselho de Administração.
 
O dito e o não dito
 
As palavras são cruéis e desobedientes;
não são humildes servas.
Fazem-nos cócegas
e depois que saem da boca,
não tornam a ela,
por mais que imploremos;
mas também não vão embora;
ficam ressoando no ar
e nos perseguem para sempre.
Por isso, busco o silêncio;
só ele nos deixa em paz.
As palavras...
prefiro prendê-las no papel.
Se viro a página
ou fecho o livro,
as silencio.
Vingo-me.
Venço.
Torno-me rei.
 
Pecado
 
Enquanto o tempo,
de presente,
passa frio
e calmamente,
a nau naufraga
no líquido
viscoso e quente,
entrando na
marcada caverna molhada,
que a engole
tempestuosamente.
 
Mas quem poderá dizer
o que é pecado
aos olhos de Deus?
 
A natureza, impetuosa,
não respeita o aviso
do vento
e enquanto Deus
dá um bocejo,
ela satisfaz
o seu desejo.

Quase rebeldia
 
         Chega de versos melosos, caudalosos,
         que acompanham os momentos
         de desatino.
 
         Rompi com o destino!
 
         Mesmo os momentos amorosos
         serão mais curtos e secos.
         Navegarei mares incertos,
         não terei medo de becos escuros,
         de passar por grandes apuros
         ou atravessar longos desertos.
 
         Chega de versos saudosos, lamentosos,
         que acompanham os momentos
         de solidão.
 
         Rompi com a emoção!
 
         Os punhais serão mais racionais
         e os romances serão mortais.
         Enquanto viverem, os amores serão rasos
         como raízes em vasos;
         suas marcas serão superficiais
         e jamais exalarão perfumes florais.
         Os versos serão brancos e secos
         como os vinhos da noite fria,
         que é estéril e nada cria.
 
         Mas a criação, criatura ingrata
         na folha esculpida,
         desata a forma da vida
         e revolta-se contra o criador,
         chorando pelas entrelinhas
         sob o ritmo romântico
         das marchinhas.
         Os versos saem cheios de amor provinciano
         e abdicam da oportunidade
         de tornarem-se poesia.
         Para o criador,
         nada de fotografia!
         Talvez num outro dia
         dê resultado a euforia
         de sua quase rebeldia.
 
Amor perdido
 
O coração fica magoado
quando relembra o passado.
 
Folha negra, virada;
fica o avesso.
 
Folha seca, levada;
fica o movimento,
o barulho do vento.

 
 
 
 

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