Academia Niteroiense de Letras

 

Menu  
Diretoria
Conselho Fiscal
Histórico
Patronos
Atuais Acadêmicos
Ex-Acadêmicos
Principais eventos
Biblioteca
Programação
Endereço
Trabalhos Literários
Revista Virtual
Fale Conosco
 
 

   

MPB, um enfoque literário

Lauro Gomes de Araújo

 

A viagem de Paulo César

Começou, quando ele ainda era muito jovem, pelas asas da melodia de João de Aquino. Poeta maior, seus versos transcendem a acurada sensibilidade para alguma coisa mais, para algo espiritual e filosófico.

Ao lado de outros letristas inesquecíveis como Vinícius de Moraes, Orestes Barbosa, Noel Rosa e Chico Buarque de Holanda, Paulo César Pinheiro vem produzindo algumas das mais belas páginas da Música Popular Brasileira.

[“Chorei o meu pranto primeiro / e chorei por inteiro pra não mais chorar...”] ; [“porque contra o bem nada fiz / só queria um dia / ser feliz como eu sou infeliz”] – versos de “Ingênuo”, o choro mais elaborado de Pixinguinha” no dizer do maestro Orlando Silveira. “Toda imagem no espelho refletida / tem mil faces que o tempo ali prendeu” (“Além do espelho”, com João Nogueira). “Vou construir uma casa encantada / paredes de vento, beiral de relento...” (“Casa Encantada”, com Ivor Lancellotti). São pequenas amostras das centenas de composições assinadas por Paulo César. Festivais diversos, trilhas de novelas, livros publicados, CDs dão conta das múltiplas atividades do artista que coleciona bons parceiros. Além dos já citados, Guinga, Baden Powel, Tom Jobim, Maurício Tapajós (filho do pesquisador, compositor, cantor e radialista Paulo Tapajós), Edu Lobo, Eduardo Gudin, Francis Hime, Carlos Lyra, entre outros.

Paulo Cesar Pinheiro participou de “Mesa de Botequim”, na Associação Atlética Banco do Brasil (AABB/Niterói), numa das grandes noites do projeto nos seus mais de 20 anos de existência. Simples, tranquilo, inegavelmente um dos maiores poetas da Música Popular Brasileira.

 

Paulo César Pinheiro

 

É Paulo César Pinheiro,

a nível nacional,

sem favor, um verdadeiro

ás do nosso musical.

 

Aliás, ele é também

um ás da nossa poesia,

pois trabalha, e muito bem,

com o sonho e a fantasia.

 

Versos sempre caprichados

sua lira elaborou,

os tornando apreciados

nos livros que publicou.

 

Com tal versatilidade,

andou fora do poema,

ao fazer sonoridade

pra TV e pro cinema.

 

Mas, claro, foi da poesia

que ele extraiu a mensagem

linda e cheia de magia

intitulada Viagem.

 

Mais marcas dessa magia,

sempre rica, nunca escassa,

se convertem na agonia

que há no Canto das três raças.

 

 

E fez com João Nogueira

As forças da natureza

e, assim como este, Guerreira,

samba da maior beleza.

 

Esses dois supracitados,

Clara Nunes os cantou,

e ainda hoje são lembrados,

tal qual ela, que os gravou.

 

Fez também com o Nogueira,

e todo inspirado nela,

um outro samba, o Mineira,

louvando os talentos dela.

 

Outro canto magistral

também de sua autoria,

só que este sentimental,

é o triste Sem companhia.

 

Um outro, de mágoa cheio,

mas de paixão todo feito,

é decerto o Amor alheio,

assim como o Amor perfeito.

 

Sagarana, Estrela-guia

e Refém da solidão:

com esses, mais poesia

espalhou, e em profusão.

 

E fez Bares da cidade,

Veneno e Lenda praieira,

e todas, na realidade,

composições de primeira.

 

Tal como o são Documento,

Espelho, Maior é Deus,

Faz tempo e Meu sofrimento,

mais outros trabalhos seus.

 

Merecem também menção,

pra aqui serem relembrados,

Eu, hein, Rosa! Ahiê, Quadrão,

Dilema e A flor das estradas.

 

Do seu menu musical

constam Nomes de favela,

A volta, É de lei, Punhal,

Justiça e Agora é Portela.

 

Estou agora a me lembrar,

e aqui os registro já,

de Vontade de chorar,

e Quaquaraquaquá.

 

Além de outros muitos mais,

também são da sua lavra

Mordaça, Você jamais

e De palavra em palavra.

 

Antes de encerrar, porém,

tenho de incluir aqui

Olha quem chega também

e Tô sempre por aí.

 

E outros mais devo citar,

tais como Velha Poeira,

Tô voltando, Negro mar,

Até eu e Saideira.

 

E Chorar de mal de amor,

À flor da pele, Rocinha,

Ainda, Quando eu me for,

Um ser de luz e Serrinha.

 

E Portela na avenida,

Camará, Menino Deus,

Sermão, Estrela partida,

Perdão e Frase de adeus.

 

E O poder da criação,

Além do espelho, Guarida,

Cabaré, Primeira mão,

Ponto de vista e Partida.

 

E  Ana Luíza, Chavão,

Carnaval, Volta morena,

Banho de manjericão,

Tambores e Vale a pena.

 

E A porta, Arrebentação,

De repente, A gafieira,

Pra valer, Mais coração,

Rimas e Alma aventureira.

 

E As moças, Contentamento,

Cobaia, Luz da manhã,

A ponte, Mares, Alento

e o Bolero de Satã.

 

E Aboio, Sonho de bamba,

Beijos, Pelo bem da vida,

Hino, O lamento do samba

e Coração sem saída.

 

E Despedida, Orixá,

Meu pai falou, tá falado,

Besouro de mangangá,

Ioiô e Retrato falado.

 

Diante só desta listagem

já se vê, caro leitor,

o quanto vale a bagagem

do PC compositor.

 

Tal listagem, na verdade,

não só numericamente,

mas também em qualidade,

é expressiva e atraente.

 

Tanto que a ele garante

um lugar especial,

extremamente importante,

no musical nacional.

 

      As palavras grafadas em itálico reproduzem literalmente,

ou sugerem, os títulos de 100 (cem) composições

de Paulo César Pinheiro

 

(Sandro Rebel)

         Para voltar ao índice, clique em Revista virtual.

 

 

Assine o Livro de Visitas
Leia o Livro de Visitas