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Novos talentos Elida Escaciota
Assim, o poema
Tempestade se me pega, o corpo é mar agitado. Coração, barco sem vela e a noite pra atravessar.
O pescador de palavras pousa na proa do lápis, assume a embarcação, navega por minha mão
Pelas ondas do papel a tormenta se desfaz. Metade vira poema, a outra se afoga em paz.
Jóias de algibeira
Quantas horas no seu bolso? brincava eu com meu pai e o tique-taque vaidoso do bolso da calça pulava.
Era seu único bem, além de mim, sua jóia mais cara.
Mas o relógio cansou. Parou sem dizer adeus e o tempo de ter meu pai nunca mais amanheceu.
Lua sem remorso
Essa noite não vou dormir sob as colinas Bastam-me um chão de púrpura uma lua sem remorso alguém que me coma a carne e eu lhe roa os ossos
Rio inesperado
Porque desabituei de ser pântano não me afundo mais em qualquer tristeza
Nenhum amargo céu me habita Apenas me atravessa esse braço de alegria como um rio inesperado
Cheira a lavanda o espírito desperto A mente em estado de sonho falta ao trabalho e descansa
O corpo agradece o dom de ser meu barco e meu piano
Línguas mortas
Lasciva e abandonada uma palavra espera complemento Intransitiva, ecoa no silêncio das horas e desfalece
As línguas também não suportam a solidão
Poemas do livro Fora da moldura (Editora da Palavra, 2007).
Elida Escaciota é carioca com formação em Letras. Freqüenta oficinas de texto e tem participado de antologias literárias. Fora da moldura é o seu livro de estréia.
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