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Pensarte (Seção destinada à publicação de artigos e ensaios sobre literatura, cinema, teatro, dança, música e artes plásticas).
Emerson Rios
Atividade paranormal, o filme
Um dos filmes mais inteligentes a que eu assisti nos últimos anos foi Atividade paranormal. Todos nós sabemos que os grandes sucessos do cinema americano são resultado de investimentos milionários. Avatar, por exemplo, consumiu mais de 500 milhões de dólares. Atividade paranormal foi realizado com apenas 15 mil dólares e a sua bilheteria já ultrapassou os 100 milhões de dólares. A história em que se baseia o filme é muito simples. Todo o enredo se desenvolve dentro de uma casa, e, além do casal que faz o papel principal, apenas dois outros artistas aparecem durante o filme, e mesmo assim em papéis secundários. Como um filme com apenas dois personagens, passado num ambiente fechado, consegue fazer tanto sucesso? A resposta é simples: o enredo é muito inteligente. Este foi o primeiro trabalho do diretor e roteirista israelense Oren Peli. Antes de se tornar cineasta, Peli era programador de jogos de computador. Atualmente está trabalhando no roteiro de Atividade paranormal 2 e na direção de um outro filme, Área 51. O filme é de uma simplicidade assustadora. Já começa sem aparecer nome de nenhum artista ou diretor. No final, apenas um agradecimento à polícia de San Diego e nada mais. Tudo é apresentado como se fosse um documentário simples e mal filmado. Um casal, Katie Featherston (Katie) e Micah Sloat (Micah), preocupado com os estranhos barulhos ouvidos pela moça durante a noite, decide comprar uma câmera para registrar o que ocorre no seu quarto na madrugada. Nas cenas que ocorrem no horário diurno, as imagens que vemos são do próprio rapaz (Micah) filmando, e, lógico a câmera fica tremendo o tempo todo. Só para de tremer à noite quando é colocada num tripé em frente à cama do casal. O alívio dos telespectadores dura pouco, pois neste momento somos nós que começamos a tremer. O filme não tem nenhum efeito especial, não aparece ninguém vestido de azul, não tem sangue jorrando, mas é simplesmente assustador. Talvez seja essa a razão do seu enorme sucesso. Para confundir ainda mais, os artistas principais tem os mesmos nomes dos seus personagens, o que nos transmite a impressão de que os fatos realmente aconteceram. A linha de filmagem é a mesma de A Bruxa de Blair, onde saímos do cinema sem saber se vimos uma ficção ou se aqueles fatos realmente aconteceram. Relatos de pessoas que assistiram ao filme são impressionantes, pois algumas ficaram dias sem dormir. Tudo isso por uma produção que custou 15 mil dólares e durou apenas uma semana de trabalho, usando poucos cenários e sem nenhuma externa. Lembrou-me muito de outro filme barato chamado Festim diabólico, do mestre Alfred Hitchcock, que foi feito com apenas um cenário. Um filme não precisa ser caro, como Avatar, para ser bom, pois nem sempre a riqueza é garantia de qualidade.
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