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Prata da Casa

Gilson Rangel Rolim

Ocupante da Cadeira 49, patronímica de Benjamim Constant

 

Eu e o espelho

 

Mergulho na imagem que o espelho reflete.

Adentro meu corpo virtual,

vou em busca do ser que me habita;

perco tempo, nada encontro.

Volto a olhar o espelho.

Agora já não mergulho na imagem,

fico a mirar os contornos do rosto

como pretendendo ver a alma

que a mente abriga.

Fecho os olhos. Imagino-me

numa viagem fantástica

pelo recôndito de mim mesmo.

Mas tudo é vão, fico entorpecido.

Abro os olhos,

o rosto no espelho ri de mim.

Riso debochado. Sei a razão.

Fui em busca de mim mesmo e nada encontrei;

voltei frustrado.

 

O que sou, afinal?

 

Antes eu pensava que fosse,

agora sei que não.

Não sou simples grão de areia

nesse cósmico infinito.

Ser vivo, sou mais que isso,

sou chama divina,

sou brilho das estrelas,

sou o silêncio dos abismos,

sou partícula da vida

de eterna permanência.

 

Imagens oníricas

 

Nas franjas do sonho,

a curva é reta,

o triângulo não tem ângulo,

o quadrado é esférico;

o ponto não é um só,

são reticências...

 

Voa-se sem ter asas,

corre-se sem sair do lugar,

morre-se continuando vivo.

Mesmo que em tons de pesadelo,

há sempre o desejo

de entender essa linguagem...

(*) Do livro Estação oitenta, por publicar.

 

 

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