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Prata da Casa Gilson Rangel Rolim Ocupante da Cadeira 49, patronímica de Benjamim Constant
Eu e o espelho
Mergulho na imagem que o espelho reflete. Adentro meu corpo virtual, vou em busca do ser que me habita; perco tempo, nada encontro. Volto a olhar o espelho. Agora já não mergulho na imagem, fico a mirar os contornos do rosto como pretendendo ver a alma que a mente abriga. Fecho os olhos. Imagino-me numa viagem fantástica pelo recôndito de mim mesmo. Mas tudo é vão, fico entorpecido. Abro os olhos, o rosto no espelho ri de mim. Riso debochado. Sei a razão. Fui em busca de mim mesmo e nada encontrei; voltei frustrado.
O que sou, afinal?
Antes eu pensava que fosse, agora sei que não. Não sou simples grão de areia nesse cósmico infinito. Ser vivo, sou mais que isso, sou chama divina, sou brilho das estrelas, sou o silêncio dos abismos, sou partícula da vida de eterna permanência.
Imagens oníricas
Nas franjas do sonho, a curva é reta, o triângulo não tem ângulo, o quadrado é esférico; o ponto não é um só, são reticências...
Voa-se sem ter asas, corre-se sem sair do lugar, morre-se continuando vivo. Mesmo que em tons de pesadelo, há sempre o desejo de entender essa linguagem... (*) Do livro Estação oitenta, por publicar.
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