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Em destaque: Concurso Literário

   

Resenha literária 

Verdade-Metafísica-Poesia

Luís Antônio Pimentel

            Estava o haicai posto em sossego, ao agrado do gosto acostumado a servir-se dele qual iguaria literária, até esta revisitação.

            Poema lacônico, reduzido a ponto de poder ser escrito num grão de arroz e lido com auxílio das lentes de um conta-fios, o haicai desperta encanto com sua delicadeza e graça, quer pela pequenez ou por sua essência, aqui desvendada.

            Fruto da lavra do extraordinário Matsuo Bashô, o haicai, primoroso retrato, rico em características poéticas, psicológicas e filosóficas, foi codificado no século XVII por seu patriarca. Esse é responsável pelo estabelecimento das normas segundo as quais: a poesia deveria mostrar a estação do ano na cena plasmada; o poeta não deveria colocar-se no haicai, ou reduzir seus versos à moldura lírica do seu eu; há a necessidade de se atentar à importância da contemplação dos ensinamentos búdicos.

            Terceira geração da waca, versos de trinta e sete sílabas, o haicai é poesia genuinamente japonesa, reverente e serena como seu povo, que testemunha seu caráter contemplativo inclusive na letra do Kimigayô, Hino Nacional Japonês.

 

                        Kimi ga yô wa                                  Que o Imperador viva

                        chi-yo ni ya-chi-yo-ni                         mil, oito mil gerações,

                        sazare-ishi                                          até o dia em que

                        iwao to narite                                     rochedos se tornem seixos

                        koke no musu made.                          Rolados, cheios de limo.

 

            Esses elementos, referentes à eternidade, à natureza, à vida, à harmonia e a outros valores humanos, são abordados no ensaio em apreço como temas merecedores da consideração do aplicado professor Kahlmeyer-Mertens, cuja iniciativa original de pensar o haicai por meio da Filosofia nos trouxe um estudo de profundidade. Verdade-Metafísica-Poesia é resultado eloqüente de uma investigação produzida por um respeitável esforço intelectual em prol da literatura acerca do tema.

            É verdade: admirado e apreciado, o haicai chegou ao Ocidente de Herodes para Pilatos por um itinerário bastante turbulento. Muitos se sentiram tentados a escrevê-lo, poetas de todas as línguas do mundo cometeram seus haicais, mas pouquíssimos se dispuseram a estudar sua poética e sua história milenar. No Brasil, de Guilherme de Almeida para Leminski, essa poesia ganhou composições e nova roupagem, mas nenhuma contribuição relevante quanto à elucidação de seu gênero.

            Lendo o trabalho meticuloso do jovem Kahlmeyer-Mertens, nos encorajamos a crer num futuro promissor à Filosofia que parte do haicai ao pensamento, e numa compreensão mais lúcida dessa poesia como expressão poética. 

KAHLMEYER-MERTENS, Roberto Saraiva. Verdade-Metafísica-Poesia. Nitpress, RJ. 2007

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