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Antônio Conselheiro revisitado Laos Deo
Desmistificar e reabilitar a figura de Antônio Vicente Mendes Maciel, alcunhado Conselheiro, é, hoje, mais do que nunca, tarefa urgentíssima, porque, se no plano da Guerra de Canudos, quando todos estavam com os ânimos exaltados, perdidos muitos no idealismo exacerbado, talvez pelo fanatismo político da Monarquia desinstalada ou da República recém-instaurada, o contato com o líder nordestino nos surpreenderia em todos os sentidos. Nos nossos dias, no entanto, quando a quietude do tempo nos possibilita um estudo acurado e baseado na isenção que a reunião das fontes primárias e a psicologia da época nos permitem realizar, surgem os ideólogos com necessidade de reformar a realidade de então, trazendo situações de outras terras e de outras gentes e, ainda mais, colocando palavras e atitudes desmesuradas na boca e no comportamento de Antônio Conselheiro. É preciso notar que o líder da massa só ganhará o respeito e a consideração de todos os brasileiros, intelectuais ou não, quando se lhe fizer justiça de fato. Este mergulho à herança dos recursos que Canudos deixou documentada, aumentada do conhecimento de uma bibliografia diversificada e rica, deu-nos condição de reconstituir aquela imagem tantas vezes vilipendiada por interesses outros, diferentes daqueles que o seu coração continha e tomava corpo na sua inteligência e na vontade do grupo que ele conduzia.
DARIGO, Franci Machado. Antônio Conselheiro revisitado. Primyl Editora, RJ. 2002. Para voltar ao índice, clique em Revista virtual.
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