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A pluralidade poética de Lena Jesus Ponte Wanderlino Teixeira Leite Netto Em Estações interiores (1997) e Na trança do tempo (2000), Lena Jesus Ponte brindou os leitores com haicais. Desde que Luís Antônio Pimentel despertou-a para esse tipo de poesia, Lena vem mantendo íntimo relacionamento com esse poema de origem japonesa, a ponto de passar a impressão de que seu fazer poético nele se concentra. Entretanto, em seus livros Revelação (1983) e O corpo da poesia (1992), não há um haicai sequer. Mas eles são anteriores aos mencionados, alguém argumentará, insinuando que a autora, a partir de Estações interiores, já não tece outro tipo de poema, a não ser o notabilizado por Matsuo Bashô no século XVII. Com a publicação de Ávida palavra (2007), Lena mostra que sua poesia é abrangente. O título desta recente obra traz uma ambigüidade que permitiu uma divisão em três segmentos: “Canto a céu aberto”, “Canto em gaiolas” e “Canto em galhos de árvore”. No primeiro, valendo-se de versos livres, a poeta “retira cangas e antolhos, rompe represas, corta barbantes e cordas, derruba cercas e muralhas, abre celas, gaiolas e comportas, solta freios, desata nós, afrouxa o cabresto das rimas”. No segundo, abriga, além de poemas em redondilha maior com esquema regular de rimas, sonetos capazes de inquietar os que ainda bebem na fonte do Parnasianismo. Afinal, ao construí-los, Lena não se obriga à rigidez canônica. Também Alphonsus de Guimaraens, Jorge de Lima, Vinícius de Moraes, Mário Quintana e Carlos Drummond de Andrade, entre outros modernos, fizeram alguns sonetos desapegados dos cânones clássicos. No terceiro estão os haicais. E Lena, à maneira de Pimentel, dispensa algumas normas do haicai tradicional ─ não se preocupa, em abordar sempre a estação do ano e permite às vezes ao eu lírico imiscuir-se no poema. Porém, conforme o mestre, não abre mão da métrica convencional (5-7-5) nem atribui títulos aos haicais. Portanto, neste seu novo livro, encontramos Lena Jesus Ponte em plural avidez poética. Conforme ela própria declara, a poesia faz pouso no ninho da página. Ávida palavra. Editoração Editora Ltda, Rio. 2007 Para voltar ao índice, clique em Revista virtual.
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