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Resenha literária 

De casulos e borboletras

 

Leonila Murinelly

“Ai, palavras, ai palavras,

que estranha  potência, a vossa!”

 

            Assim expressou-se Cecília Meireles sobre o pode da Palavra. Já Rubem Alves diz: “A palavra é um feitiço, ela entra nos corpos e transforma-os.”

            Hoje, eu não vou refletir sobre “A experiência da amizade” que, como alguém já o disse, “parece ter suas raízes fora do tempo, na eternidade.” Vou falar sobre “casulo” e “borboletra”, ou seja, o borboletrar de Márcia – sim, porque as palavras lhe deram asas... e ela começou a voar por espaços infinitos...

            Já tiveram oportunidade de ver um casulo se romper? Eu já tive essa sorte.

            Ah, as metamorfoses!

            Poucas pessoas se dão conta do poder da palavra para fazer as metamorfoses do corpo.

            Uma das frases que mais marcou meus momentos de leitura foi esta: “É no lugar onde a palavra faz amor com o corpo que começam os mundos...” Os poetas sagrados sabiam disso e por isso diziam: “o corpo é a palavra que se fez carne.” A psicanálise também acredita nisso, ela se dedica a ouvir palavras, pois é nelas que habitam os sonhos e os pensamentos que nos fazem voar...

            O casulo-Márcia rompeu-se. O mundo de sua fantasia libertou-se dos limites: borboletrou...

            Em seu texto “A bailarina” a consciência dessa metamorfose – “círculo de fogo a arder” – é a certeza de que nada conseguirá impedi-la de voar... E assim se define como:

            “Libélula desperta do seu casulo / Que continua a ascender / Que continua a bailar / Suspensa em nuvens de sonho.”

            Hoje, seu corpo é um universo de fantasias, e quanto mais ricos forem esses universos maiores serão os vôos da Márcia-borboletra, maior será o seu fascínio porque maior será o número de melodias que tocará, maior será a possibilidade de amar e maior será a sua felicidade e a felicidade daqueles que a cercam.

            Porque “o poeta não é alguém que vê coisas que ninguém mais vê. O que ele faz é simplesmente iluminar com seus olhos aquilo que todos vêem sem se dar conta disso”. Borboletrando!!!

 

Quarta capa do livro Borboletrando, de Márcia Pessanha (EDIÇÕES Muiraquitã Ltda. Niterói. RJ. 1997)

 

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