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Uma viagem pela alma humana Mario Divo
O amigo Alfeu me deu um grande presente ao convidar-me para participar da edição de algo tão especial como o lançamento de seu livro. Afinal, é gratificante essa forma de associação com alguém de brava postura ética e coerente, valores que identifico desde que o conheci, nos idos dos anos 70. Uma pessoa que prima pela sua generosidade, competência e dedicação ao bem-estar das pessoas. Ele, àquela época, já liderava projetos importantes e ocupava posição de destaque na Petrobrás. E não era incomum, pelos corredores da empresa, ouvir-se referências positivas a um profissional cujo nome se confundia com o de um artista famoso. Durante um longo período, foram bem poucas as vezes em que nos cruzamos em alguma reunião ou solenidade, dado que a minha base era em São Paulo. Alguns (ou muitos) anos se passaram. Ele avançou na carreira e passou a ocupar postos mais altos e de maior destaque na comunidade empresarial. Eu também havia caminhado na minha carreira, ainda vinculado à atividade regional, quando fui transferido para o Rio de Janeiro, em 1989. Fazia muito tempo que eu não via pessoalmente o Alfeu. Foi então que aconteceu um fato corriqueiro, mas que evidencia o caráter amigo do nosso autor. Eu estava em um supermercado de Laranjeiras, quando identifiquei o Alfeu e a sua esposa fazendo compras perto de mim. Um pouco inibido e sem palavras para uma aproximação, preparei-me para um breve cumprimento social. Pois não é que ele veio a mim, conversou comigo, perguntou como um paulista estava se sentindo na capital carioca e como estava minha vida na empresa? Incrível, ele sabia quem eu era e tomou a iniciativa! Esse mero exemplo mostra como Alfeu é ligado nas pessoas, não por aquilo que possa ganhar materialmente, mas pelo que lhe permite vivenciar com os sentimentos, a amizade e o envolvimento no que a vida tem de mais nobre: o amor pelo ser humano. Virei fã do Alfeu e fiquei alegre ou triste com as vitórias ou as dificuldades, mesmo sem ele saber ou eu o comunicar, pois o mundo petroleiro nos colocou em rotas profissionais distintas. Outra vez o tempo passou. Inexoravelmente, passou. Até que, há alguns anos atrás, tivemos um reencontro em outra dimensão da vida. Por ironia do destino, hoje moramos em prédios vizinhos. Por sentimento, aflorou e fortaleceu a nossa amizade. Por afinidade, ambos dedicamo-nos mais e mais aos prazeres do livro. Tanto lendo como escrevendo, e aqui o uso do gerúndio é até marca positiva. Trabalhar na edição deste livro, como um amigo que escreve o prefácio e traz este conto pessoal para se juntar aos contos de Alfeu, é maravilhoso. Ler o texto em primeira mão e ter a possibilidade de editar o livro, esse então é um grande prêmio. Isso porque o Alfeu aqui conseguiu reunir momentos da alma humana com competência e excepcional verve literária, o que dá um tempero próprio na estrutura e na linguagem do que escreve. Neste livro, poderemos viajar com o autor e conhecer personagens aos quais o Alfeu dá interessante vida singular. De tanta riqueza narrativa, parecem seres reais que serviram de inspiração. De situações tão inusitadas que nos são apresentadas, devemos valorizar a capacidade de o autor trabalhar com tantas e diferentes temáticas sociais. Enfim, realidade ou ficção, um autor jamais declara a origem das idéias. E com o Alfeu não seria diferente. Tenho a mais absoluta certeza de que o leitor vai se deliciar com os contos que o Alfeu preparou. Pois é com Contos que conto que ele passeia pela sensibilidade humana e dá, também, uma grande lição de vida a todos nós, admiradores e amigos.
In VALENÇA, Alfeu. Contos que conto. MDM Editora, RJ. 2008.
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