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Perfil Biográfico
Elenir Moreira Teixeira Naturalidade: Niterói / RJ. Profissão: Administradora de Empresas (aposentada). Membro da Associação Niteroiense de Escritores (ANE). Participa da Antologia Água Escondida (Poesia) e de Agendas Poéticas da ANE. Freqüentou as Oficinas: Luiz Simões Jesus (I e II) (Wanderlino T.L.Netto e Lena J. Ponte); Oficina da Escrita (Sílvia Carvão /Estação das Letras); Oficina de Contos Oliveira e Peçanha (Sônia Peçanha); Oficina de Haicais (Lena J. Ponte /Estação das Letras); Roda de Leitura (Regina F. Costa/Proj. Prefeitura Municipal de Niterói). Freqüentou o Curso de Arte de Dizer Via Láctea (Marly Prates).
Ciranda
Luar atrevido! Invade meu quarto, não pede licença, cobrindo de cinza meu corpo quebrado, meu fogo apagado, me leva de volta a antigos luares ...
“Terezinha de Jesus de uma queda foi ao chão...”
Crianças tão puras! Alegres, felizes, abriam a roda, cantavam a rodar. Ouvido de longe, envolto nas cinzas, seu canto era reza, rezada ao luar. Dispersaram-se os meninos ... Pai Francisco também foi carregando o violão. Sozinha no seu rochedo, sem condes nem generais, a viúva chora em vão. Ficaram murchas as rosas que foram belas um dia, e a mão direita vazia. A mineirinha de Minas, faceira em seu rebolar, para viver rebola agora. Costurando essas lembranças, fecho meus olhos cansados... Novamente se abre a roda e a ciranda continua
“Ciranda , Cirandinha, vamos todos cirandar ...”
Ah, se eu pudesse dar meia-volta!...
Girassóis
Sozinha, a mulher segue.
Tecendo silêncios lembranças ausências distâncias descrenças mudanças.
Sofrendo sem rede sem remo sem rumo sem rota sem rosto sem rastro.
Sonhando... Com licença de Van Gogh se mistura aos girassóis.
Haicais
Os fios das vida vou tecendo feito aranha. Me embaraço às vezes.
***
Vestidas de roxo, as quaresmeiras em flor do verão despedem-se.
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As árvores despem-se de suas folhas e, nuas, recebem o outono.
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No inverno gelado, a palavra me acompanha e se faz lareira.
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É tempo de flores, cores, aromas e amores. Só minha alma inverna.
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Na ponta dos pés, a bailarina flutua e alcança as estrelas.
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Os toques festivos dos sinos na catedral fazem bailar pássaros.
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Ah! Que inveja tenho das aves de arribação! Partem quando querem.
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Pendente do muro, ignora a poluição, um ramo de orquídeas.
Desassossego
Entro... o silêncio angustia. Saio ... a agitação atordoa. Entro... lembranças adormecidas escondem-se na poeira. Saio ... lá fora o presente intimida. Entro... Saio... Saio... Entro... Os espaços são enormes e definem meus vazios. No corredor, vejo sombras, ouço vozes, muitos passos, muitos risos... Espero...ninguém vem. Nas paredes descascadas, ecos dos sons de outrora. Prisioneiros das molduras, de viés, olhos me seguem. Vovô, o velho relógio que acalantava meu sono com seu lento tic-tac, tornou-se, agora, implacável! Fazendo correr o tempo já não me deixa dormir. Esquecidos sobre a mesa, um pires, um punhado de cinza, um toco de vela, o pavio retorcido e as contas de um rosário retornam aos meus ouvidos a reza há muito esquecida, rezada por minha mãe nas noites de temporal: “Santa Bárbara, São Jerônimo. Santa Bárbara se vestiu, Santa Bárbara se calçou...” Querendo ficar — eu parto. Querendo partir — permaneço. Na angústia desses contrastes, anseio por teu abraço. Pelo calor de teu corpo, de leve, roçando o meu. Por tuas mãos como barcos, navegando meus cabelos trazendo de volta o sossego. Redescobrirei quem sou?
Vozes
Noite de sombras, noite de sussurros. Luar fugindo, desenhando imagens sobre ramos secos. Vou caminhando... Trilha de sonhos... A fazenda! Murmúrio de rios, choro de carro de bois, o engenho, canto áspero da moenda, entre as palhas, suspiros de nós dois. Sinos lentos, anúncio de partida. Festa, a chegada de outro alguém. Sapos-martelo martelando a noite, trens de ferro sacudindo o dia. Da Zefa, ouço o grito: — Crianças, pra mesa, o armoço tá pronto! Feijão com arroz, batata frita, temperos, amores, brinquedos, infância. Que me importa o silêncio se essas vozes me acompanham? Água fresca me sacia e dissipa o deserto que me envolve. Seres, sons e cores habitam minha poesia.
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